ATIVIDADE FÍSICA DOS ADOLESCENTES DA CIDADE DE LISBOA

PHYSICAL ACTIVITY OF THE ADOLESCENTS FROM THE CITY OF LISBON

Adilson Marques1, Maria Inês Bouw1, Tomé Almeida1, João Martins y Francisco Carreiro da Costa

1Universidade de Lisboa, Faculdade de Motricidade Humana
2Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Faculdade de Educação Física e Desporto
3Centro Interdisciplinar de Estudo da Performance Humana, FMH, Universidade de Lisboa

Artículo publicado en el journal Gymnasium, Volumen 1, Número 2 del año .

Resumen

O objetivo do estudo era identificar os padrões de atividade física (AF) dos adolescentes de acordo com a idade e o sexo. Participaram no estudo 877 adolescentes (436 rapazes, 441 raparigas) com 12, 15 e 18 anos. A avaliação da AF foi feita com recurso a um questionário. Partindo dos níveis de participação nas AF em contexto formal e informal procedeu-se ao cálculo de um índice de AF. Para avaliar se o sexo e a idade estavam relacionados com índice de AF recorreu-se à ANOVA two way. O teste t-Student foi usado para analisar as diferenças entre os sexos. O índice médio de AF dos adolescentes foi de 3.03±1.03 (variando entre 1 e 6), apresentando os rapazes valores superiores em todas as idades. Verificaram-se diferenças significativas entre as idades de 12 e 18 anos (p=0.012) e entre 15 e 18 anos (p=0.016). Os alunos dos escalões etários mais novos apresentavam um índice de AF superior. A idade (F(2,871)=4.617; p=0.01) e o sexo (F(1,871)=28.074; p<0.001) influenciaram significativamente o índice de AF. Para aumentar os níveis de AF dos jovens é necessário um melhor trabalho ao nível das escolas no sentido de aumentar os hábitos de AF.

Palabras clave: Adolescência, Atividade Física, Sexo, Idade.

Abstract

The aim of the study was to identify the physical activity (PA) patterns of adolescents from Lisbon city according to age and sex. Participants were 877 adolescents (436 boys, 441 girls) aged 12, 15 and 18 years. The PA assessment was done by using a questionnaire. The level of participation in formal and informal PA led to the calculation of an index of PA. To assess whether gender and age were related to PA index, two-way ANOVA was used. The Student t test was used to analyze the differences between the genders. The average index of PA among adolescents was 3.3 ± 3.1 (range, 1 to 6), with higher values for boys in all ages. There were significant differences between the ages of 12 and 18 years (p=0.012) and between 15 and 18 years (p=0.016). Age (F(2,871)=4.617, p=0.01) and sex (F(1,871)=28.074, p<.001) had a significant influence on the PA. There was a significant difference in the rate of physical activity between boys and girls at ages 12 (t (248)=3.990, p<0.001) and 15 (t(548)=5.769, p<0.001). To increase levels of PA among adolescents and young people more work at school level is necessary, in order to increase physical activity habits.

El objetivo del estudio fue identificar patrones de actividad física (AF) de los adolescentes según la edad y el sexo. Participaron en el estudio 877 adolescentes (436 chicos, 441 chicas) con 12, 15 y 18 años. La evaluación de la AF se realizó mediante un cuestionario. Sobre la base de los niveles de participación en el AF tanto en contexto formal e informal se procedió al cálculo de un índice de AF. Para evaluar si el género y la edad estaban relacionados con el índice de AF se recurrió a la ANOVA de dos vías. Se utilizó la prueba t de Student para analizar las diferencias de género. La tasa media de la AF de los adolescentes fue 03.03 ± 03.01 (rango 1 a 6), con los chicos presentado valores superiores en todas las edades. No hubo diferencias significativas entre las edades de 12 y 18 años (p = 0,012) y entre 15 y 18 años (p = 0,016). Los estudiantes de los grupos de edad más jóvenes presentaron un índice de AF superior. La edad (F (2,871) = 4,617, p = 0,01) y el sexo (F (1,871) = 28,074; p <0,001) influyeron significativamente en el índice de AF. Para aumentar los niveles de AF de los jóvenes, es necesario mejorar el trabajo a nivel de la escuela para aumentar los hábitos de AF.

Keywords: Adolescence, Physical Activity, Gender, Age.

INTRODUÇÃO

As mudanças na dieta alimentar e no estilo de vida, como resultados da industrialização, urbanismo e desenvolvimento económico, têm ocorrido rapidamente nas últimas décadas. A combinação de uma dieta pouco saudável com um estilo de vida sedentário está a ter um impacto significativo no estado de saúde, sendo já considerado um problema global (Hallal et al., 2012).

Muito embora seja inquestionável a importância que assume a realidade dos dados epidemiológicos e os efeitos da atividade física na saúde, esta informação não permite, por si só, perspetivar as mudanças no sentido da melhoria da saúde. Dos estudos sobre a participação dos mais jovens em atividades físicas e desportivas, são salientados alguns fatores que, com maior ou menos grau, determinam o nível ou intenção de participar. Esses fatores são designados de determinantes e podem ser definidos como condições causais que afetam a participação nas atividades físicas e desportivas (Bauman et al., 2002; Sallis, Prochacka & Taylor, 2000).

Ao rever as inter-relações entre a atividade física e a saúde, são identificados a idade e o sexo, entre os vários fatores relacionados (Biddle, Gorely & Stensel, 2004; Mota & Sallis, 2002). A investigação tem demonstrado que a variação destes fatores tem efeito nos comportamentos de prática.

Apesar dos ensinamentos transmitidos nas escolas, as várias iniciativas para a promoção da atividade física, as mensagens veiculadas pelos meios de comunicação e as infraestruturas que têm sido construídas para a prática desportiva, os níveis de atividade física dos mais jovens são ainda considerados baixos (Baptista et al., 2012; Esculcas & Mota, 2005; Mota e Esculcas, 2002) e os fatores determinantes continuam a ter um efeito previsível nos comportamentos dos adolescentes e jovens (Bauman et al., 2012).

Desta forma, evidencia-se a necessidade de investigar os níveis de AF em adolescentes, para caracterizá-los e assim mais facilmente se desenharem programas de intervenção para promoção da atividade física com sucesso. Assim sendo, o objetivo deste estudo é examinar os padrões de atividade física dos adolescentes lisboetas, de acordo com a idade e o sexo, e estabelecer uma análise comparativa para se identificarem as diferenças.

METODOLOGIA

Amostra

A amostra foi constituída por 877 adolescentes (436 rapazes, 441 raparigas) com 12, 15 e 18 anos de idade (Quadro 1), que frequentavam 6 escolas públicas na Área Metropolitana de Lisboa.

Quadro 1. Distribuição dos adolescentes segundo o sexo e escalões etários

O critério utilizado para a escolha dos participantes foi a sua participação nas aulas de Educação Física, não terem problemas de saúde que limitassem a prática desportiva, a autorização dos pais e a concordância dos alunos. Todos os dados foram tratados confidencialmente, protegendo-se o anonimato dos participantes. O estudo teve a autorização do Ministério da Educação e da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

Instrumento de Recolha dos Dados

A avaliação da atividade física foi feita através do questionário desenvolvido por Piéron et al. (1997). O questionário original foi traduzido para a língua portuguesa, tendo já sido aplicado em diversos estudos (Esculcas & Mota, 2005; Marques, 2003; Marques, Diniz e Carreiro da Costa, 2008; Santos et al., 2005). Para melhor compreensão das respostas relativas à participação nas atividades físicas e desportivas acrescentámos mais duas possibilidades de escolha, passando a ser: “nunca”, “menos de uma vez por semana”, “uma vez por semana”, “2 a 3 vezes por semana”, “4 a 6 vezes por semana” e “todos os dias”. Como as questões sobre a prática desportiva permitiam respostas numa escala de 1 a 6, foi construído um índice a partir do valor médio para cada aluno. Foi avaliada a frequência da participação em atividades formais, informais e no Desporto Escolar.

Análise Estatística

Foram calculados a média e o desvio padrão de cada grupo etário, para cada sexo. Para avaliar se o sexo e a idade afetavam significativamente o índice de atividade física recorreu-se à ANOVA two way, seguida do teste post hoc HSD de Tukey. A significância da diferença entre os sexos, dentro de cada escalão etário, foi avaliada com o teste t-Student para amostras independentes. O pressuposto da normalidade do índice de atividade física nos diferentes grupos definidos pelo cruzamento dos fatores idade e sexo foi avaliado pelo teste de Kolmogorov-Smirnov com correção de Lilliefors. Para os alunos com 12 e 15 anos, de ambos os sexos, a distribuição da variável não era normal, contudo, como esses subgrupos tinham uma dimensão muito superior a 30, evocamos o teorema do limite central. O pressuposto da homogeneidade das variâncias foi validado com o teste de Levene, tendo sido verificado que todos os grupos tinham variâncias homogéneas. As análises estatísticas foram executadas com o SPSS 20 e o nível de significância foi colocado em 0.05.

Resultados

Os índices de atividade física de cada subgrupo e da amostra geral estão apresentados no quadro 2. De uma escala de 1 a 6 o índice médio dos participantes foi de 3.03±1.03, o que se pode considerar, numa análise geral, um valor baixo, atendendo que a média se situa sensivelmente a meio da escala.

Os rapazes apresentaram valores superiores aos das raparigas em todas as idades. Foi interessante observar que o valor mais baixo encontrado para os rapazes, aos 18 anos de idade (2.93±1.14), era mais elevado do que o valor mais alto das raparigas, aos 12 anos de idade (2.82±0.92). Com o aumento da idade é visível um decréscimo do índice de atividade física, o que indica uma redução dos níveis gerais de participação nas atividades físicas e desportivas. Embora o decréscimo tenha sido registado, notou-se que nas raparigas foi muito ligeiro dos 12 para os 15 anos, sendo a maior quebra dos 15 para os 18 anos.

Quadro 2. Índices de atividade física de acordo com a idade e o sexo

De acordo com os dados provenientes da ANOVA, o efeito de interação entre os fatores idade e sexo não foi significativo (F(2,871)=0.043; p=0.958). Relativamente à idade, verificou-se que tinha um efeito significativo sobre o índice de atividade física (F(2,871)=4.617; p=0.01; eta2=0,01; potência=0.780). Não obstante a significância do efeito, não pode ser ignorada a fraca dimensão e a potência reduzida do teste, sendo que a idade apenas explicou 1% da variabilidade do índice de atividade física. Através da análise do teste post hoc HSD de Tukey, as diferenças significativas ocorreram entre as idades de 12 e 18 anos (p=0.012) e entre 15 e 18 anos (p=0.016). De modo semelhante, depois de se considerar o efeito da idade, o sexo influenciou significativamente o índice de atividade física (F(1,871)=28.074; p<0.001; eta2=0,031; potência=1), sendo máxima a potência do teste.

Com a idade de 12 anos, o índice de atividade física dos rapazes e das raparigas diferia significativamente (t(248)=3.990; p<0.001), verificando-se o mesmo entre os alunos de 15 anos (t(548)=5.769; p<0.001). Para a idade de 18 anos, apesar dos rapazes apresentarem valores superiores, a significância da diferenças não foi estatisticamente significativa (t(75)=1.895; p=0.062), demonstrando que com o aumento da idade as diferenças entre rapazes e raparigas tendem a desaparecer, contudo num sentido oposto ao desejado, uma vez que o índice de atividade física decresceu nos dois sexos.

Dos resultados deste estudo verificámos que o índice de atividade física da generalidade da amostra encontrava-se no ponto médio da escala, indicando que este grupo de alunos não era muito ativo. O índice de atividade física era inversamente proporcional ao aumento da idade, em ambos os sexos, contudo entre as raparigas a diferença entre os 12 e os 15 anos foi quase inexistente. Os rapazes, com valores mais elevados, tinham níveis de prática superior ao das raparigas, em todas as idades.

Os resultados deste estudo estão em linha com vários outros em que se verificou o declínio da atividade física com o aumento da idade (Armstrong & Welsman, 2006; Caspersen, Pereira & Curran, 2000; Ledent et al. 1997; Marshall et al., 2007; Riddoch et al., 2004; Telema & Yang, 2000).

Num estudo longitudinal, na Finlândia, Telama & Wang (2000) verificaram o declínio da atividade física, sobretudo entre os 12 e os 18 anos nos rapazes e entre os 12 e os 15 nas raparigas. Os nossos resultados são ligeiramente diferentes relativamente às raparigas, sendo o ponto de viragem dos 15 para os 18 anos. Para os rapazes, entre os 12 e os 15 não se registaram diferenças significativas, embora já fosse visível uma tendência. Nos Estados Unidos da América foram encontrados valores muito semelhantes aos nossos, sendo que o escalão etário dos 15 aos 18 foi aquele que apresentou maior risco de declínio (Caspersen, Pereira & Curran, 2000). A partir dos 15 anos, estes autores verificaram um decréscimo da atividade física de 5% ao ano. Seabra et al. (2008), num outro estudo com características muito semelhantes, observaram o maior declínio a partir dos 16 anos, o que poderá ser encaixado no escalão etário dos 15 aos 18. Ainda no que se refere aos valores de atividade física evidenciados pelas raparigas com 15 anos, num estudo recente, que envolveu adolescentes de 44 países, Currie et al. (2012) verificaram que as adolescentes portuguesas desta faixa etárias eram das mais inativas. Havendo algumas variações nos resultados, que poderão estar relacionadas com as diferentes metodologias dos estudos, ou com as dificuldades dos adolescentes em reportarem a atividade física praticada (Booth et al., 2002), um dado consistente é a existência do declínio da atividade física com o aumento da idade.

Face ao declínio que se verifica, seria interessante averiguar que tipo de atividade oferece maior garantia de estabilidade, visto que para o cálculo do índice de atividade física foram consideradas as atividades formais e informais. A este respeito, Aarnio et al. (2002), ao observarem o declínio constante de adolescentes com 16, 17 e 18 anos, notaram que os sujeitos que apresentavam maior estabilidade na participação eram os que estavam envolvidos em atividades organizadas. Esses dados foram reforçados pelas descobertas de Telama et al. (2006), em que os sujeitos que participaram em atividades físicas e desportivas organizadas na juventude eram mais ativos na idade adulta do que os que não participavam. Essa constatação parece sugerir que as atividades organizadas, para além do maior gasto energético diário que provocam (Katzmarzyk & Malina, 1998), apresentam maiores probabilidades de fidelizarem a participação dos adolescentes.

A tendência de declínio da atividade física com o aumento da idade é uma variável constante na Europa (Armstrong & Welsman, 2006; Currie et al., 2012). Riddoch et al. (2004), naquele que é considerado o primeiro estudo a medir objetivamente a atividade física de uma amostra representativa de crianças europeias, verificaram que as crianças de 9 anos eram consideravelmente mais ativas do que os adolescentes de 15 anos, apresentando valores semelhantes em todos os países. Virtualmente, todas as crianças de 9 anos praticavam uma quantidade de atividade física igual ou superior à recomendada, enquanto apenas uma baixa percentagem o fazia aos 15 anos.

As diferenças significativas observadas no nosso estudo foram entre os 12/15 e os 12/18 anos. Pensamos que as pequenas diferenças em relação aos outros estudos possam estar relacionadas com os diferentes métodos de avaliação da atividade física, que não permitem comparar objetivamente os resultados entre os estudos. Todavia, apesar das diferenças entre os estudos, o declínio da atividade física com o aumento da idade é um fenómeno aceite e conhecido. No entanto, não é bem compreendido, pois não se conhecem os mecanismos que o desencadeiam.

Procurando sintetizar as descobertas sobre as idades em que se verifica o declínio, Sallis (2000), a partir da análise de vários estudos, concluiu que a idade entre os 13 e os 18 anos é de risco. Como esse declínio foi observado também nos animais, levou o autor a supor que o declínio talvez tenha origem biológica. A consistência dos dados do estudo de Riddoch et al. (2004) entre os diferentes países, são, de certa forma congruentes com as suposições de Sallis (2000), podendo ser afirmado que a atividade física habitual das crianças e adolescentes é, provavelmente, determinada biologicamente. A ser verdade, é passível afirmar-se que a tendência do declínio é algo que sempre existiu.

Esse pensamento traz consigo alguns problemas, porque existem estudos, apesar de serem poucos, em que esse declínio da atividade física não se verificou (Cantera-Garde & Devís-Devís, 2000; Vasconcelos & Maia, 2001). Não podemos também ignorar que, no nosso estudo, apesar do efeito da idade ser significativo sobre o índice de atividade física, apenas explicou 1% da variabilidade, o que significa que pode estar associado a outros fatores como a pressão académica, pois os mais velhos estão sujeitos à pressão dos exames finais para terminar o ensino secundário e ingresso no ensino superior.

Na procura de respostas para explicar a diferenças dos níveis de participação nas atividades físicas e desportivas entre adolescentes e jovens, são necessários mais estudos.

Relativamente às diferenças entre os sexos, o facto dos rapazes terem tido valores superiores ao das raparigas é uma constatação comum, estando estes resultados em linha com as investigações de muitos outros autores (Santos et al., 2005; Esculcas & Mota, 2005; Seabra et al., 2008; Marshall et al., 2007). Na esmagadora maioria dos estudos observa-se claramente que os rapazes são fisicamente mais ativos do que as raparigas, sendo esta sentença quase um refrão que se repete em cada investigação. Este é um fenómeno comum em todos os países e parece ser um denominador comum em sujeitos de diferentes etnias (Marshall et al., 2007).

A partir da análise dos resultados de vários estudos observam-se associações significativas entre a atividade física e o sexo (Biddle, Gorely & Stensel, 2004; Biddle, Atkin, Cavill, & Foster, 2011). As diferenças podem ser explicadas sociologicamente, os rapazes são mais encorajados a praticar atividade física, têm mais oportunidades fora da escola e revelam experiências de atividade física mais positivas do que as raparigas. As raparigas, por outro lado, são encorajadas para outro tipo de atividades que estão mais relacionadas com o papel social que irão desempenhar na idade adulta. Embora alterações profundas no papel social da mulher têm ocorrido nas últimas décadas, tendo como consequência o aumento da sua participação nas atividades físicas e desportivas, ainda assim os níveis de participação estão longe de se assemelharem. Por esta razão, encontramos diferenças significativas.

O nosso estudo trouxe, para além da confirmação dos resultados dos outros estudos, alguns dados relevantes. Para os alunos com 18 anos, apesar dos rapazes terem um índice de atividade física superior, as diferenças não eram estatisticamente significativas. Isso mostra uma aproximação dos valores com o aumento da idade e sugere uma descida dos níveis de atividade física mais acentuada nos rapazes. Estes resultados não são coincidentes com os de Seabra et al. (2008), cuja amostra também foram adolescentes e jovens portugueses e a atividade física foi avaliada através de questionário.

Acreditamos que as semelhanças encontradas entre os sexos poderão estar relacionadas com a altura em que decorreu a investigação. O trabalho de campo foi realizado próximo do final do ano letivo, estando os alunos, muito provavelmente, preocupados e concentrados nos exames nacionais que se avizinhavam. A pressão social e a necessidade de terem boas notas, poderá ter alterado as suas rotinas habituais e ter feito com que rapazes e raparigas se assemelhassem nos níveis de prática de atividade física.

CONCLUSÃO

Embora os efeitos das atividades físicas sejam comummente assumidos como benéficos, a escolha dos mais jovens nem sempre recai na participação em atividades físicas e desportivas. Os rapazes são, claramente, mais ativos do que as raparigas, mas as diferenças tendem a minimizar-se com o aumento da idade. A quantidade de jovens classificados como sedentários aumenta durante a adolescência. A consideração destes factos na sua globalidade é preocupante, porque do ponto de vista científico o valor da atividade física para a saúde é inquestionável. Por esta razão, os mais jovens deveriam usufruir dos benefícios que lhe são inerentes, através de uma maior participação.

Para aumentar os níveis de atividade física dos adolescentes e jovens, procurando combater o declínio que se verifica, é necessário que seja feito um trabalho ao nível das escolas, dos professores em geral e de Educação Física em particular, do poder local e principalmente dos pais, para que haja uma mudança do estilo de vida dos mais jovens e que a prática desportiva seja um hábito perene.

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Cita en Gymnasium

Adilson Marques, Maria Inês Bouw, Tomé Almeida, João Martins y Francisco Carreiro da Costa (2016). ATIVIDADE FÍSICA DOS ADOLESCENTES DA CIDADE DE LISBOA. Gymnasium. 1 (2).
https://g-se.com/atividade-fisica-dos-adolescentes-da-cidade-de-lisboa-2118-sa-O57cfb2727ed17

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